History Channel: golpes e assassinatos
O History Channel acaba de fazer uma matéria sobre a Coréia do Norte, mostrando entrevistas com atuais e ex-assessores de Defesa do Pentágono e alguns professores universitários (também claramente ligados ao deep state) respondendo a pergunta de como derrubar o governo de Kim Jong Un. Não gosto de assistir esse canal, que é um conjunto de muito baixo nível de abordagens sensacionalistas sobre guerras, extra-terrestres e curiosidades mórbidas, mas acompanhei a matéria até o fim para conferir. A naturalidade como os políticos, militares e “especialistas” tratam de suas opções é admirável. As primeiras opções levantadas são de aumento das sanções internacionais para deixar o povo em fome, à míngua, sem remédios (tal como fazem na Venezuela) e forçar uma revolução interna. John Bolton defendeu esta tese. Mas alguns especialistas não concordam com a eficácia deste caminho, pois o país ainda tem muito abastecimento de vizinhos, como China e Rússia. A possibilidade do assassinato de Kim foi debatida por vários especialistas, mas esbarraram na estrutura de segurança eficiente do Estado norte-coreano, alegando ainda que Kim sabe destas tentativas e emprega vários dublês para enganar espiões (as conversas não deixam de revelar que isso foi tentado várias vezes, tal como tentaram contra Fidel Castro). Verdadeiro terrorismo explícito de Estado. A atração de militares coreanos para a realização de um golpe interno também foi cogitada. Mas os vários assessores concluem que a fidelidade dos militares ao presidente e ao Partido é muito alta. Descrevem o que parece ser uma tirania perfeita, apesar de reconhecer que Jong Un não tem o mesmo carisma e popularidade do avô e do pai. A opção de negociação direta com os norte-coreanos para desarmamento só foi levantada por Trump, que parece não acreditar no caminho. Fico imaginando que assistimos pela tv o bloqueio à Cuba e Venezuela, os golpes que aconteceram na Líbia e Egito, a destruição da Síria, os desmanches do Brasil e Argentina e tantos outros frágeis estados que não souberam se defender. O Estado que promove estas ações se arvora como uma espécie de guardião da civilização e juiz do mundo. Sua prática agressiva e intervencionista vem crescendo na mesma proporção que decai sua relevância no mundo tecnológico e comercial. Nada mais perigoso do que um Império em declínio. Kim Jong Un dá seu recado, quer ser respeitado e consegue isso, pois parte de uma posição forte. Nesse mundo quem não sabe se defender, não é respeitado.
É chocante e revoltante identificar como um canal que se apresenta com fins educacionais não passa de propaganda (de baixa qualidade) de um império em declínio. O conhecimento histórico e a sociedade em geral merecem mais respeito.