Para que servem a Filosofia e as Ciências Humanas ?

02/05/2019 09:08

      Sem os conhecimentos das ciências humanas “não é possível entender a sociedade”, diz a cientista política Danielle Allen, professora da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Em entrevista à BBC Brasil, Allen disse ver como “um erro” o plano do governo brasileiro de reduzir investimentos em faculdades de ciências humanas – como filosofia e ciências sociais – e se concentrar, segundo um tuíte do presidente, Jair Bolsonaro, em “áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina”.

O presidente escreveu que “a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”. Para Allen, que dirige o Centro de Ética Edmond J. Safra de Harvard, a capacidade de uma sociedade de alcançar uma boa governança depende de ciências humanas como ciência social e filosofia, “porque são estas disciplinas que fazem esse tipo de trabalho”.

“Você não cria leis para ter uma boa governança com os conhecimentos de Engenharia e de Física. Sem os conhecimentos das ciências humanas não é possível entender a sociedade.” “O trabalho do economista Herbert Simon, ganhador do prêmio Nobel, mostrou que os países mais ricos do mundo têm esta riqueza em grande parte por causa de uma boa governança. Em outras palavras, você não pode separar a qualidade da economia da qualidade da governança institucional”, diz Allen.

Governança é um termo usado para descrever como o processo de tomada de decisão e a forma como medidas são implementadas por instituições públicas para conduzir questões de interesse social e administrar recursos públicos. Allen se dedica a estudar os conhecimentos e as habilidades necessários na condução de regimes democráticos. Autora de diversos livros sobre o tema, ela avalia que redução de investimentos em ciências humanas e sociais e o maior foco na educação de ciências exatas e biológicas geram uma menor participação dos cidadãos.

Ela argumenta que as “democracias de massa” em que vivemos hoje são produtos de dois tipos de conhecimento. “Com certeza, o tamanho de nossas populações, nossas capacidades tecnológicas e nosso potencial de saúde aumentaram drasticamente por causa das ciências biológicas e da engenharia, mas a razão pela qual temos instituições democráticas é por causa de disciplinas como filosofia, sociologia, direito, história, entre outras”, afirma Allen. “São estas áreas de conhecimento que inventaram a democracia e permitiram não só criá-la, mas administrá-la. Nós nos esqueceremos de como administrar uma democracia se não investirmos nestas áreas de conhecimento.”

‘Boas leis, instituições e governança aumentam a riqueza da sociedade’

Allen reconhece que, em diferentes países do mundo, medidas semelhantes têm sido tomadas para incentivar o estudo de ciências exatas e biológicas. A cientista afirma que isso se deve à visão – que ganhou força nas últimas décadas – de que o desenvolvimento econômico e a distribuição igualitária dos ganhos de produtividade na sociedade são resultado da disseminação de conhecimentos em tecnologia.

“Governos estão tão focados nesta questão da combinação de crescimento e a distribuição equitativa de ganhos de produtividade que passaram a adotar essa posição de que precisam fomentar as habilidades em ciências exatas e biológicas. Isso é verdade, mas não podemos fazer isso com um custo de erodir nossa capacidade de ter uma boa governança.”

Ela argumenta ainda que é possível medir e analisar o retorno dos investimentos em ciências humanas tanto quanto com os resultados gerados por outras áreas de conhecimento, como mostrou o economista Herbert Simon.

“Boas leis, instituições estáveis e estruturas de governança produtivas aumentam a riqueza de uma sociedade. Todos estes de conhecimentos têm resultados mensuráveis, nós apenas nos esquecemos de medi-los.”

‘Ciências sociais ajudam a traçar os objetivos da humanidade’

A cientista destaca ainda que grandes nomes da modernidade que são referência de criatividade nos dias de hoje tiveram uma educação superior baseada em ciências humanas, como, por exemplo, Steve Jobs, fundador da Apple.

“Disciplinas como filosofia, história e literatura nos levam a questionar o que devemos fazer, quais são os propósitos da humanidade, quais devem ser nossos objetivos”, diz Allen.

Ao mesmo tempo, diz ela, ciências biológicas e exatas normalmente nos levam a questionar como podemos atingir os objetivos traçados. “Você precisa questionar tanto o que devemos fazer quanto como devemos fazer. Você não pode abandonar as disciplinas que ajudam as pessoas a pensar sobre quais são os propósitos humanos.”

Por isso, ela defende que “ciências humanas são tão importantes quanto as ciências exatas e biológicas”: “Não é uma questão de priorizar uma área sobre a outra, você precisa de ambas. São dois campos poderosos e complementares para o bem da humanidade”.

Em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, o ministro da Educação, o economista Abraham Weintraub, defendeu que o governo não está impedindo o estudo de ciências humanas. “Pode estudar filosofia? Pode, com dinheiro próprio”, afirmou.

Allen diz ver como “lamentável” que o acesso a esse tipo de conhecimento possa passar a ser “privilégio de ricos”. “Deveria haver oportunidades iguais de acesso a este tipo de conhecimento, tão ligados a profundos impactos sociais.”

‘Ensino de ciências humanas deve começar na escola’

Na posse de Weintraub, Bolsonaro disse querer “uma garotada que comece a não se interessar por política, como é atualmente dentro das escolas, mas comece a aprender coisas que possam levá-las ao espaço no futuro”.

Isso gerou diversas críticas, especialmente nas redes sociais, de que o governo desestimula a formação de pessoas capazes de pensar criticamente.

Allen diz que, embora não possa comentar sobre as intenções do governo brasileiro sem ter acesso a informações que a permitam fazer algum julgamento, a redução do investimento em ciências humanas mina a capacidade de alguém participar da sociedade enquanto cidadão.

“O pensamento crítico e a capacidade de pensar sobre quais devem ser nossos objetivos enquanto sociedade é algo que precisa ser construído. É preciso ter prática nisso para se ter capacidade de participar efetivamente de uma democracia.”

Por este motivo, ela defende que o ensino de ciências humanas, como sociologia e filosofia, devem fazer parte do currículo escolar desde os primeiros anos, assim como com as ciências biológicas e exatas.

“É com o tempo que você constrói habilidades nas áreas de conhecimento. Quanto antes começar o ensino de ciências humanas, melhor. Se for só na universidade, você já começa atrasado.”

 Reportagem da BBC, de 30 de abril de 2019.

Seleção de Monitor(a): Introdução aos Estudos Históricos

18/03/2019 17:47

São requisitos para a seleção:

1. Ter cursado e  sido aprovado na referida disciplina;

2. Ter tempo disponível para atendimento presencial e por e-mail de estudantes da turma e para correção de fichamentos e resenhas;

3. Conhecer bem as práticas de fichamento e dominar as normas da ABNT;

4. Ser estudante regularmente matriculado no Curso de História da UFSC;

Os(as) interessados(as) devem comparecer para entrevista de seleção (trazendo cópia impressa e atualizada do Histórico Escolar) no dia 21 de março, quinta-feira, as 14h, na sala 11 do Departamento de História (terceiro andar do bloco C do CFH)

 

Simpósio Nacional ANPUH – 2019 – Recife – ST nro. 118 – Movimentos messiânicos rurais e populações tradicionais

27/12/2018 23:01

Queridos(as) amigos(as)

   Está aberta a chamada para comunicações nos Simpósios Temáticos do XXX Congresso Nacional de História, que acontecerá em Recife, de 15 a 19 de julho de 2019.

O Simpósio Temático nro. 118Movimentos Messiânicos Rurais e Populações Tradicionais, coordenado por mim e pelo Prof. Ancelmo Schörner, da UNICENTRO, tem como objetivo  congregar pesquisadores ligados a investigação de movimentos sociais rurais com características messiânicas e milenares, como Canudos, Juazeiro, Contestado, Santa Dica, Monges do Fundão, Caldeirão, Pau de Colher e outros, ocorridos entre o final do século XIX e meados do século XX. Além do levantamento sobre os estudos mais recentes acerca destes movimentos, o presente ST procura debater aspectos mais amplos sobre estas populações, seu entorno e seus remanescentes, colocando em debate as condições de vida, os conflitos agrários, formas de religiosidade e relações com o poder local e o Estado Nacional de populações caboclas, quilombolas, faxinalenses e comunidades de fundo de pasto, além de comunidades extrativas.

INSCRIÇÕES: De 14 e janeiro até 22 de março de 2019.

Mais informações: https://www.snh2019.anpuh.org/site/capa

 

Chamada de trabalhos – V Simpósio sobre o movimento do Contestado

04/09/2018 11:54

Entre os dias 26 e 28 de novembro de 2018 acontecerá na UNICENTRO, de Irati, Paraná, o V Simpósio Nacional sobre o Movimento do Contestado. O evento acontecerá em conjunto com a XIII Semana de História e o VII Seminário de Estudos Étnicos-Raciais da UNICENTRO. Inscreva sua Comunicação no ST (Simpósio Temático) Contestado: História, Memória, Populações e cultura. Estarão sendo recebidas as inscrições de graduandos, pós-graduandos e profissionais. Inscrições até dia 8 de outubro.

Mais informações e inscrições no link abaixo:

https://evento.unicentro.br/site/simposiodocontestado/2018/1

Sobre o fechamento do Arquivo Público de Santa Catarina – Nota da ANPUH – Brasil

20/03/2018 10:55

      A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil), solidária com a ANPUH-SC, vem a público manifestar sua surpresa e desagrado pela maneira como o Arquivo Estadual de Santa Catarina (APESC) tem sido tratado pelo governo estadual.
Desde dezembro de 2017, o arquivo encontra-se fechado para o público. Isso pode ser constatado pela nota divulgada no site da Secretaria de Administração ( http://www.sea.sc.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=90&Itemid=248&lang ). Na nota se anuncia que esta situação permaneceria até 15 de fevereiro de 2018, entretanto, até o momento não há atendimento presencial, nem à distância.
Desde o final do ano passado, a ANPUH-SC tem cobrado esclarecimentos e retorno imediato desse serviço ao público por meio de contatos por telefone e e-mail. Ocorre que o atendimento ao público não foi restabelecido.
É de amplo conhecimento a enorme importância que o Arquivo Público do Estado de Santa Catarina representa para a população catarinense, não apenas entre os historiadores e pesquisadores – interessados diretamente nesses serviços, já que seu trabalho depende incondicionalmente da pesquisa no acervo de documentos do Arquivo que possuem valor histórico ou científico – mas também do público em geral e de órgãos governamentais que recorrem ao arquivo para acesso a documentos que possuem valor legal.
A suspensão dos serviços de atendimento ao público no APESC também fere a Lei n. 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação que é válida, não apenas para os três Poderes da União, mas também para Estados e Municípios.
Exigimos a regularização no atendimento ao público no APESC e solicitamos o retorno da normalidade do atendimento ao público presencial e à distância o mais breve possível.

NOTA DE FALECIMENTO E PESAR

28/12/2017 16:05

É com muita tristeza que recebemos a notícia do falecimento do músico, pesquisador e folclorista Vicente Telles. Sua arte e seu amor pelas populações do Contestado inspiraram a todos nós. Sua dedicação aos jovens e crianças é exemplo de educação para uma cidadania democrática e inclusiva. Nosso amigo caboclo fará muita falta. Queremos registrar nossos sentimentos de pêsames à família e aos amigos.

Grupo de Investigação sobre o Movimento do Contestado – Diretórios CNPQ

Chamada de Trabalhos – V Simpósio Nacional do Contestado, Irati, Paraná, novembro de 2018

29/11/2017 09:56

V SIMPÓSIO NACIONAL DO MOVIMENTO DO CONTESTADO: CARTOGRAFIAS SAGRADAS 

UNICENTRO – Campus de Irati

26 a 28 de novembro de 2018.

Chamada de Trabalhos

O Grupo de Investigação sobre o movimento do Contestado, o Departamento de História da UNICENTRO, campus de Irati, e o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) e o Laboratório dos Povos Eslavos e Faxinalenses (LAPEF-I) promovem V SIMPÓSIO NACIONAL DO MOVIMENTO DO CONTESTADO: CARTOGRAFIAS SAGRADAS. Neste evento são chamados a participar pesquisadores, profissionais, professores e estudantes de graduação e pós-graduação para apresentar trabalhos que sejam o resultado de suas pesquisas sobre o Movimento do Contestado, bem como sobre o povoamento, a colonização, os povos tradicionais, a religiosidade, a ecologia e outros conflitos desencadeados nesta região da Guerra sertaneja. Deverão ser, igualmente, submetidos à seleção relatos de experiências e reflexões sobre o ensino dos temas acima mencionados. Serão privilegiados os trabalhos que se vinculem à região das matas de araucária e do planalto meridional como um todo. A participação dos inscritos se dará nas modalidades de comunicação de texto integral (de 15 a 20 páginas), para profissionais e estudantes de pós-graduação, e a modalidade de apresentação de banners, para estudantes de graduação.

Cronograma e Inscrições:

Até dia 20 de julho 2018 – Inscrição de resumos de comunicações para pós-graduandos e profissionais (informando nome completo, co-autoria ou orientação, quando for o caso, Instituição, endereço, RG e CPF) em resumos com até 15 linhas com título e três palavras-chave;

Até dia 20 de agosto de 2018 – Inscrição de resumos de banners de estudantes de graduação (Informando nome completo, Instituição, Orientador(a), endereço, fone, RG e CPF) em resumos com até 10 linhas com título e três palavras-chave;

Até dia 30 de setembro de 2018 – Homologação dos trabalhos inscritos e envio de Cartas de Aceite.

Até dia 20 de outubro de 2018 – Envio dos textos completos das comunicações pelos autores.

 De 26 a 28 de novembro realização do V Simpósio Nacional do Movimento do Contestado: cartografias sagradas no Campus Universitário da Universidade Estadual do Centro-Oeste, localizada na PR 153, km 7, Bairro Riozinho.

Mais detalhes em:

http://simpsiocentenriocontestado1912-2012.blogspot.com.br/

 

Publicado o processo de Adeodato Ramos, último chefe rebelde do Contestado

21/08/2017 10:43

        O Livro O processo de Adeodato, último chefe  rebelde do Contestado foi recentemente publicado pelo Centro de Estudos Jurídicos, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em Florianópolis. A obra conta com a transcrição completa do processo crime (no caso, o traslado do processo original no recurso interposto ao Tribunal por Olímpio Simão, outro sentenciado no mesmo certame) que condenou Adeodato a 30 anos de prisão por sua suposta participação no ataque a Rio Bonito, localidade do interior de Curitibanos, em 1914. O livro tem uma apresentação de Gunter Axt e uma Introdução explicativa de Paulo Pinheiro Machado. A coordenação da digitalização  e da transcrição do processo foram de Jaqueline dos Santos Amaral e Sandro Makowiecki. A digitalização dos documentos originais foi feita por Alex Godoy Padilha e Sérgio Henrique Vilela Ribeiro. A transcrição paleográfica foi realizada Daniela Freitas Piccini e Felipe Muller Machado. A conferência de fidedignidade e revisão foram realizadas por Thais Machado, Silvana Pisani, João Paulo da Silva e Gunter Axt. A revisão geral foi de Elizabeth Castillo Fornés. O projeto gráfico e editoração é de Maria do Rosário Longhi. Agradecemos a Paulo Jansson Moretti pela gentileza na cedência das fotos de seu avô Claro Gustavo Jansson.

        É importante considerar que Adeodato teve sua memória demonizada pelos adversários do governo e depois até pelos remanescentes dos redutos, que passaram a repetir, como um “mantra” de sobrevivência e readaptação ao mundo dos “peludos”, a história de que o último chefe era um assassino cruel. A transcrição do processo e a possibilidade de retomada dos estudos sobre este complexo personagem são passos necessários para se recuperar o contexto dos períodos finais da guerra e da atuação das pessoas de carne e osso.

          O livro está sendo distribuído para professores, bibliotecas e instituições. Interessados em recebê-lo enviem e-mail para paulo.pinheiro.machado@ufsc.br

 

De volta ao triste passado

24/05/2017 20:39

     O Ministro da Defesa, Raul Jungman fez o anuncio do Decreto de Estado de Sítio ao lado do General Etchegoyen, do Gabinete de Segurança do Planalto.
Este General tentou sabotar o Trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que apurou crimes da Ditadura Militar e inclusive listou mais de 300 oficiais do exército em violações dos Direitos Humanos, como tortura, sequestro, assassinato, ocultação de cadáveres e outros. O pai dele, General Leo Guedes Etchegoyen (já falecido),  estava citado no relatório. O  tio dele, General Sérgio Westphalen Etchegoyen, também estava apontado no relatório. Mais grave ainda era outro tio, coronel Cyro Guedes Etchegoyen, autoridade do CIEx responsável pela “Casa da Morte”, em Petrópolis, Chefe da seção de contrainformações do Centro de Informações do Exército (CIE) de 1971 a 1974. É este tipo de gente que Temer e Rodrigo Maia estão chamando para “defender as instituições”.

     O que foi a Casa da Morte?

     Localizada na rua Arthur Barbosa, 668 , atual Arthur Barbosa, 50- foi identificada pelos militares pelo nome de ‘Codão’- no alto de um morro do bairro Caxambu e de propriedade do empresário alemão Mario Lodders,  um simpatizante da ditadura militar que a cedeu ao Exército, ela foi montada após a ordem do então Ministro do Exército, Gen. Orlando Geisel, ao CIEx de que todos os presos políticos banidos anteriormente do país deveriam ser executados se capturados novamente em território brasileiro.

     O primeiro preso a ter morrido na casa provavelmente foi Carlos Alberto Soares de Freitas, um dirigente da VAR-Palmares desaparecido em fevereiro de 1971. Em maio do mesmo ano, o tenente-médico Amilcar Lobo testemunhou, numa de suas idas ao local para tratar de prisioneiros feridos, um jovem enlouquecido que dizia ver tigres no jardim ser morto na sala da casa pelo major do Exército Rubens Paim Sampaio, codinome “Dr. Teixeira”, que lhe comunicou que “ninguém saía vivo da casa”. Os mortos na casa eram depois esquartejados e enterrados nas cercanias. O número total de mortos nela é até hoje desconhecido, mas pelo menos 22 guerrilheiros foram trucidados em seu interior. Antes, tinham sido listados 16.

     Alguns dos possíveis presos políticos mortos e desaparecidos que teriam passado pela casa encontram-se Aluisio Palhano, Ivan Mota Dias, Heleny Guariba, Walter Ribeiro Novaes (VPR), Paulo de Tarso Celestino (ALN), Mariano Joaquim da Silva (VAR-Palmares), Marilene Villas-Boas (MR-8) – vistos ou descobertos por Etienne Romeu (uma sobrevivente da casa)- David Capistrano, José Roman, Walter de Souza Ribeiro (PCB), Issami Okamo, Ana Kucisnki  e Wilson Silva (ALN) – descobertos através de fontes militares.

     Além do major Sampaio, outros nomes foram ligados à tortura e execução de presos políticos no centro clandestino, como o falecido ex-coronel do CIEx Freddie Perdigão (“Dr.Nagib”) e o ex-sargento e hoje advogado Ubirajara Ribeiro de Souza (“Dr. Ubirajara”)Em janeiro de 2011, um levantamento do governo federal estimou que 19 pessoas teriam sido enterradas clandestinamente em Petrópolis, provavelmente presos políticos que teriam passado pela casa e desaparecido.

     Em junho de 2012, o Tenente-Coronel reformado Paulo Manhães (“Dr. Diablo”) declarou que o lugar, chamado de “casa de conveniência” no jargão dos torturadores do CiEx, tinha sido especialmente preparado por ele para receber os presos políticos capturados e basicamente servia para transformar guerrilheiros em infiltrados em suas próprias organizações. Malhães, um ex-integrante do Movimento Anticomunista (MAC), pessoalmente organizava as sentinelas do lugar, a rotina da casa e até as festas dadas pra disfarçar, já que ele se passava por um fazendeiro que ia a Petrópolis de vez em quando. Cada oficial trazia seu próprio preso, com sua própria equipe de sargentos, cabos e soldados, para “trabalhá-lo” individualmente. Segundo Malhães, o único erro cometido pelos torturadores foi a libertação de Inês Etienne, que fingiu ter aceito se passar por infiltrada em troca da liberdade após três meses de tortura, e foi quem afinal, em 1979, denunciou a existência da Casa da Morte.  Corroborando o depoimento de Inês, Malhães confirmou que Carlos Alberto Soares de Freitas passou pela casa mas negou a permanência nela do ex-deputado Rubens Paiva, também um desaparecido político.

     Em 2014, os nomes de cinco dos torturadores que atuaram na casa vieram a público: coronel do exército Cyro Etchegoyen, chefe de Contrainformações do Centro de Informações do Exército (CIE), a mais alta patente no local, codinome “Dr. Bruno”; os ex-sargentos Rubens Gomes Carneiro, codinome “Laecato”, Jairo de Canaã Cony, codinome “Marcelo” e Carlos Quissak, além do cabo Severino Manuel Ciríaco, codinome “Raul”.  Policiais, como o comissário de polícia de Petrópolis Luiz Cláudio Azeredo Viana, o Luizinho, codinome “Laurindo”, também foram identificados como integrantes do grupo de torturadores. Outro identificado foi o hoje oficial da reserva, então tenente Antônio Fernandes Hughes de Carvalho, um dos que também teriam participado da tortura e morte do deputado federal Rubens Paiva no Rio de Janeiro.