A volta do Lacerdismo – uma reflexão sobre a eleição de 2014

08/10/2014 19:41

Durante as décadas de 1950 e 1960 a figura política de Carlos Lacerda despontou no parlamento e na imprensa. Político carioca da UDN, fez do discurso moral sua principal bandeira política. As denúncias de corrupção eram seu principal prato. Era uma verdadeira metralhadora de denúncias, muitas produtos de simples boatos que, mesmo depois de desmentidas, já tinham feito seu estrago político. Este discurso tinha um especial apelo envolvente nos setores médios urbanos. Lembrei de Lacerda e da UDN depois de assistir as falas de Aécio e dos tucanos em geral. Baseiam-se na noção de que a corrupção é o pior problema do país. Contam com isto com o arsenal da Veja, da Folha, do Globo, Estadão e outros meios de comunicação. Pois ouso em arriscar que embora seja um problema sério e crônico no país, não acho que a corrupção seja o maior problema nosso. O nosso principal problema é a desigualdade social, a marginalização, o preconceito, a exclusão e a falta de oportunidades reais para grande parte da população. A corrupção é assunto para uma pauta policial e de controle por órgãos de fiscalização, não pode virar uma panaceia, como uma espada a ser manejada pelo político que veste-se como “Justiceiro”, como Lacerda, Jânio, Collor e outros. Então, o que temos hoje é um debate político rebaixado, pautado por vazamentos de “delações premiadas” que são usadas a conta-gotas. Qual será a próxima capa da Veja? O Lacerdismo não é monopólio dos tucanos. Há candidatos de esquerda, como a Luciana Genro, que sucumbiu ao discurso pautado pela moralidade de mídia. Acho um grande equívoco a afirmação dela de que os três candidatos (Marina, Aécio e Dilma) eram iguais. Não são. Até em termos quantitativos a roubalheira e a impunidade entre os tucanos foi maior. Mas o pior dos tucanos não foi sua roubalheira, foi o que fizeram legalmente, como as privatizações dos setores elétrico, siderúrgico e telefônico. É hora de se acordar para a política para se debater projetos. Por outro lado, Dilma e o PT tem deprimido a pauta mais histórica da esquerda (como a reforma agrária, tributação das grandes fortunas, ataque aos monopólios) e caído num discurso e projeto “desenvolvimentista” (outra peça dos anos 1950\60). Mas pelo menos o projeto do PT é ainda voltado à atenção de grandes camadas da população. Enfim, se é para escolher entre “Lacerdismo” e “desenvolvimentismo”, não há dúvida que o segundo é mais inclusivo.

A quem pertence a jornada de trabalho dos servidores públicos?

04/08/2014 01:16

No dia 31 de julho de 2014 uma assembleia dos técnico-administrativos da UFSC decidiu por um indicativo de greve em função de medidas tomadas pela Universidade para o cumprimento da jornada de trabalho de 40h semanais. Os técnicos alegam que se trata de um retrocesso, uma vez que em vários locais da Universidade já existe uma jornada de 6h diárias, praticada há muitos anos. Alegam falta de democracia, em não serem consultados para o estabelecimento desta medida e alguns chegam a argumentar que esta medida é um “assédio moral”.
Cabe então a pergunta: a quem pertence a jornada de trabalho dos funcionários públicos (técnicos e professores)? Será que esta jornada de uma categoria profissional integrante das carreiras federais do serviço público pode ser negociada localmente, por Reitores e Diretores de Centro, Chefes de Departamento?
Todos os técnicos, quando tomam posse, assinam um termo onde consta expressamente a sua carga de trabalho, além das atribuições do cargo público. Trata-se de um documento sério, que impõe obrigações, mas garante direitos. É claro que existe uma luta histórica dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho, e que o movimento sindical, legitimamente, a defende para várias categorias e para os trabalhadores em geral. Não é isto que está em discussão. O que está em discussão é se pode se sustentar, dos pontos de vista legal, político e social, que uma categoria profissional sustentada pela sociedade tenha o arbítrio sobre sua própria jornada.
Mas toda esta polêmica é muito importante para se levantar uma pauta positiva: a necessidade de se garantir melhores condições de trabalho, melhor profissionalização, melhores condições para a capacitação e a formação dos técnicos e a Universidade, como estabelecimento de ensino e de ciência, tem não só uma responsabilidade, mas condições de oferecer estas oportunidades a seus trabalhadores.
Mas a jornada, bem, esta pertence ao povo brasileiro, felizmente.

Conselho Universitário da UFSC se pronuncia sobre os acontecimentos do dia 25

29/04/2014 15:51

Tendo em vista os acontecimentos do dia 25 de março de 2014, quando houve uma violenta e exacerbada intervenção policial, o Conselho Universitário da UFSC vem a público manifestar-se contra qualquer forma de violência, ainda mais em um espaço público e vocacionado para a formação humana como é o Campus Universitário. Declaramos a mais firme defesa da Autonomia Universitária, condição essencial para o pleno desenvolvimento e socialização do conhecimento filosófico, científico, tecnológico e artístico.

Conselho Universitário da UFSC.

Florianópolis,  29 de abril de 2014.

Sociedades Científicas assinam Moção contra agressão policial à UFSC

25/04/2014 22:09

MOÇÃO DE REPÚDIO ÀS AÇÕES VIOLENTAS CONTRA A COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFSC 

As Sociedades Científicas abaixo assinadas vêm a público repudiar as ações violentas da Polícia Federal e da Polícia Militar no Campus da UFSC, que agrediram estudantes, professores e servidores e, sobretudo, feriram a autonomia universitária e os valores educacionais que regem a formação de nosso alunato, pautados no respeito, no diálogo, na ética e na cidadania.

Causa indignação e também estranheza a ocorrência de tais ações na UFSC, uma instituição que tem se destacado como uma das melhores universidades do país e do exterior. De acordo com o Ranking Mundial promovido pelo Conselho Superior de Investigações Científicas, ela ocupa um honroso terceiro lugar em produção científica, sendo antecedida apenas pela USP e pela UFRGS. Segundo o Ranking Web of Universities, a UFSC ocupa a quarta posição entre as universidades da América Latina. Fundada em 1960, esta instituição, considerada por várias instâncias avaliadoras a melhor do Estado de Santa Catarina, tem se expandido incansavelmente, abrigando hoje um contingente formado por cerca de 43.000 alunos matriculados em 105 cursos de graduação e 156 de pós-graduação. Os/as docentes que atuam nesses cursos são em sua maioria doutores/as e trabalham em regime de dedicação exclusiva, liderando núcleos e grupos de pesquisa. Em 2013, dos 56 programas de Pós-Graduação da UFSC avaliados pela Capes, 17 alcançaram as notas mais altas (6 e 7) concedidas pela agência, referendando os cursos como de excelência internacional.  Dois desses programas de pós-graduação estão no CFH. No último quadriênio, a UFSC diplomou 14.588 profissionais graduados e 10.824 pós-graduados, atingindo a marca recorde de 25.412 diplomados. A isso se soma a colaboração de 3.075 técnicos-administrativos.

Esses números refletem claramente o compromisso desta instituição com uma política de expansão e de qualidade do ensino público superior, favorecendo a inclusão e a permanência dos estudantes através da garantia de bolsas de estudo, da definição clara de Programas de Ações Afirmativas, bem como do funcionamento da Biblioteca Universitária, do RU e do HU.  Além desses números favoráveis, a existência de 317 acordos da UFSC com universidades e instituições de pesquisa de diferentes países, sinaliza o lugar de destaque que ela ocupa também no cenário internacional. Essa trajetória exemplar, marcada por sólido e sistemático empenho em busca de um ensino de excelência, nos orgulha e estimula em nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária.

Também manifestamos nossa estranheza diante do modo como a imagem da UFSC e os episódios desencadeados pela intransigente e violenta ação da Polícia Federal, com o apoio da Polícia Militar, têm sido insidiosamente distorcidos pelos órgãos de imprensa locais. Esses parecem desconhecer não apenas a qualidade do trabalho acadêmico, mas também o impacto educacional, social e econômico altamente positivo da UFSC, que deveria ser tratada com o devido respeito, como um patrimônio do Estado de Santa Catarina.

Reconhecemos que, assim como qualquer outro local do país, os vários campi da UFSC estão sujeitos aos conflitos e tensões típicos do crescimento urbano e dos espaços democráticos nos quais a diversidade de opiniões e os movimentos sociais se expressam e convivem num clima de liberdade. No entanto, entendemos que as intervenções policiais devem passar pela apreciação e anuência da Reitoria. Consideramos fundamental o respeito à autonomia universitária e à legitimidade de suas instâncias de decisão.

Atualmente, a UFSC é liderada por duas professoras/pesquisadoras que foram eleitas democraticamente pela comunidade acadêmica, cujas trajetórias refletem o comprometimento com a seriedade e a qualidade dessa instituição. Externamos confiança em nossas colegas e repudiamos as infâmias veiculadas na imprensa,  muitas das quais colocam em dúvida suas competências por serem mulheres.

Assim, as Sociedades Científicas abaixo assinadas abaixo assinadas manifestam seu repúdio à violência empreendida pela Polícia Federal e Polícia Militar no Campus da UFSC, entendendo que esta se coaduna com reiteradas ações de criminalização dos movimentos sociais, e reforçam sua solidariedade aos/às professores/as por ela atingidos/as, especialmente Paulo Pinheiro Machado e Sônia Weidner Maluf, Diretor e Vice-Diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, aos estudantes que foram presos, aos servidores que buscaram uma solução negociada, aos feridos e à sua administração central, que legitimamente representa a comunidade universitária. É inaceitável qualquer forma de violência, ainda mais em um espaço público e vocacionado para a educação como é um Campus Universitário.

Associação Brasileira de Antropologia – ABA

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPED

Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor

Sociedade Botânica do Brasil – SBB

Antonio José da Silva Oliveira – Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Ingrid Dragan Taricano – Sociedade Brasileira da Ciência em Animais de Laboratório – SBCAL

Sociedade Brasileira de Biologia Celular – SBBC

Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica – SBEB

Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular – SBBq

Sociedade Brasileira de Farmacognosia – SBFgnosia

Sociedade Brasileira de Química – SBQ

Associação Brasileira de Enfermagem – ABEn

Sociedade Brasileira de História da Educação –  SBHE

Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte – CBCE

Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO

Associação dos Geógrafos do Brasil – AGB (Seção Florianópolis)

Associação Nacional de História – ANPUH – Brasil

Associação Nacional de História – ANPUH-SC (Núcleo Santa Catarina)

Carta aos pais e mães dos estudantes do CFH

14/04/2014 12:47

Caros/as pais e mães

No dia 25 de março, por ordem de um delegado da Polícia Federal já afastado de suas funções, a tropa de choque da Polícia Militar investiu contra 300 alunos e professores dentro do campus da UFSC, numa ação que nunca havia ocorrido em toda a história da UFSC. A atitude da Direção do CFH, assim como dos demais professores e técnicos presentes no momento da ação policial, foi de defesa da integridade física e moral dos estudantes presentes, muitos deles menores de idade, situação que não foi respeitada pelos policiais em sua ação de violência desmedida.

A imprensa local retratou os fatos de maneira extremamente parcial e sem espaço para que a versão da Universidade fosse publicada, deixando a comunidade interna e externa à UFSC inquieta e preocupada com a situação da universidade e em especial do CFH. Os ataques desferidos pelo delegado, em seu destempero, são injustos e caluniosos, difamando uma das mais reconhecidas universidades públicas brasileiras.

Em função disso, gostaríamos de fazer os seguintes esclarecimentos:

1)      A UFSC é uma das mais respeitadas universidades públicas do país, sendo classificada como a terceira melhor do Brasil em produção científica e a quarta da América Latina, segundo o Ranking Web of Universities.

2)      O Centro de Filosofia e Ciências Humanas é o segundo maior centro da UFSC em vários itens, contando com 10 cursos de graduação e sete de pós-graduação todos muito bem classificados nas avaliações do MEC e da CAPES respectivamente. O CFH possui ainda uma reconhecida e densa produção científica, através de publicações, projetos de pesquisa desenvolvidos, além de trabalhos de extensão com um profundo impacto social e nas políticas públicas.

3)      Em relação aos itens de segurança pública, desde 2012 tem ocorrido uma importante redução de todas as ocorrências na UFSC, conforme o quadro abaixo, o que faz com denúncias alarmistas sobre aumento da violência não tenham nenhum fundamento na realidade. Os dados abaixo referem-se a todo o campus da UFSC, onde circulam cerca de 40 mil pessoas por dia.

4)      Especificamente em relação ao CFH, a direção atual, que assumiu em 26 de dezembro de 2012, tem feito um trabalho sistemático de revitalização do bosque do CFH (palco da ação violenta da polícia no dia 25 de março). Foi fechado um estacionamento informal no local, foram plantadas mais de 60 mudas de árvores nativas, envolvendo a comunidade de alunos, técnicos e professores do Centro. Desde o fechamento do estacionamento ilegal que funcionava no bosque, houve uma redução significativa das ocorrências. Esses fatos nos fazem indagar sobre qual seria o objetivo de uma ação policial tão violenta e irregular como a que foi desferida no dia 25.

5)      As aulas e demais atividades da UFSC e do CFH estão ocorrendo normalmente, a não ser no caso das atividades paralisadas em função da greve nacional dos Técnicos-Administrativos, que se iniciou em 17 de março.

Com esses esclarecimentos, queremos tranquilizar pais e mães dos estudantes do CFH e dar a nossa garantia de que o ambiente em que seus filhos e filhas estudam é um ambiente saudável, de estudo e aprendizado, em que o respeito à cidadania e aos direitos e a solidariedade para com o próximo são valores incentivados. Tenham a certeza de que seus filhos e filhas estão tendo a melhor formação acadêmica e científica de que poderiam desfrutar não apenas entre as universidades brasileiras, mas entre as melhores da América Latina e do mundo.

Finalizamos esta carta, colocando-nos à disposição de vocês para quaisquer esclarecimentos que possam possibilitar que seu olhar se dirija para nossa Universidade e nosso Centro como locus de produção científica de alto nível e de formação profissional voltada as necessidades da população brasileira. O contato pode ser feito pelo email direcaocfh@gmail.com

Direção do CFH

Oriente Médio em ebulição: palestra com Dr. Renato Costa

03/03/2014 15:17

   No dia 25 de março, as 19:30h, no auditório do CFH-UFSC, acontecerá a palestra e debate, com o prof. Renato Costa (UNIPAMPA) sobre a atual situação do Oriente Médio. A mesa contará ainda com a participação da Profa. Dra. Luciana Rassier (Mediadora), docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução – UFSC, Prof.Dr. Márcio Roberto Voigt (Debatedor), docente de Relações Internacionais do Depto de História da UFSC e Sr. Khader Othman (Debatedor), representante da comunidade árabe de Florianópolis.

  O evento é uma promoção da BibliASPA (Biblioteca América do Sul – Países Árabes) e conta com apoio do Curso de História e do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC.

Carta de repúdio a violência da mídia contra os indígenas

05/12/2013 00:14

Carta de repúdio às manifestações e ações anti-indígenas de SC

Nós, organizações, entidades e pessoas abaixo assinados, vimos a público manifestar nosso repudio aos meios de comunicação RIC Record, Grupo RBS, Blog do Jornalista Moacir Pereira, Jornal Cidade de Joinville, Sites como Antropowatch e Questão Indígena, que, nos últimos meses, têm veiculado notícias falaciosas e preconceituosas, além de fomentar opiniões declaradamente anti-indígenas. Estes veículos que deveriam primar pela verdade, pela imparcialidade e pela transparência, bem como respeito a Constituição, têm, ao contrário, veiculado apenas informações distorcidas e  visões dos grupos que se opõem aos direitos dos povos originários, sem dar espaço a outros setores da sociedade e aos próprios indígenas.

Não permitem que se expresse a voz das lideranças desses povos, omitem as principais razões da situação de vulnerabilidade dos indígenas e criminalizam movimentos sociais e profissionais, especialmente indigenistas, antropólogos e operadores do direito, que, no responsável exercício de suas funções, atuam no sentido de colocarem em prática os preceitos constitucionais.

Lamentamos a ignorância e o desconhecimento de pessoas desinformadas que atacam as culturas indígenas em todos seus aspectos, especialmente no tocante aos seus direitos territoriais, garantidos pelas Constituições Federal (Artigo 231) e Estadual (Artigo192), que se referem ao direito à terra, condição crucial para manutenção de seus usos costumes e tradições. Destacamos ainda que o Brasil é signatário também da Convenção 169 da OIT e a Declaração das Nações unidas sobre os direitos dos povos indígenas de 2007, que reconhecem os direitos humanos e territoriais desses povos originários.

Não culpamos pessoas que, muitas vezes, de forma tão difícil quanto a dos indígenas tentam sobreviver num país desigual e injusto como o Brasil. Mas não podemos aceitar que empresas que recebem do Estado concessão pública dos meios de comunicação, destinadas a informar a população, produzam e reproduzam inverdades, promovam o preconceito étnico, calem as vozes indígenas e induzam a população à violência contra esses povos! O poder público e estas empresas são responsáveis pela observância dos princípios constitucionais, no que tange ao direito de todos os cidadãos à informação correta (Art.221).

Os órgãos públicos devem controlar o que estas empresas e grupos veiculam de forma leviana e insidiosa, obrigando-os a trazerem informações adequadas, verídicas e imparciais, ao contrário do que vem sendo feito. Consideramos especialmente grave a omissão das vozes de atores fundamentais envolvidos no processo de reconhecimento dos direitos dos povos originários, em especial, das lideranças indígenas.

Os povos indígenas de SC (Guarani, Kaigang e Xokleng), desde décadas têm participado, pacientemente, de negociações com diversos órgãos, na expectativa de verem seus direitos constitucionais efetivados. São centenas de famílias aguardando a homologação das terras indígenas Pindoty, Pirai, Tarumã, Morro Alto, Araçá’i e La Klãno. A demora no processo de reconhecimento das terras impede a reprodução da vida dos indígenas, e torna sua situação altamente insegura e precária. Os órgãos de imprensa, acima citados, contribuem mais ainda para o acirramento da vulnerabilidade, prejudicando não apenas as antigas gerações, mas também jovens e crianças indígenas.

Com relação à Terra Indígena de Morro dos Cavalos (Palhoça-SC) aguarda há duas décadas pela homologação de suas terras. Discordamos totalmente da ideia veiculada por estas empresas/imprensa de que as mortes, acidentes e engarrafamentos na BR 101 sejam de responsabilidade dos Guarani. Mas sim, são dos órgãos públicos as prerrogativas de fazerem a demarcação das terras e a construção dos túneis na região, conforme já foi determinado pelo TCU e acordado com o povo Guarani e com o DNIT. É a construção desses túneis que desintrusará a terra indígena, evitará congestionamentos da BR, e os frequentes acidentes e mortes.

Basta de violência! Basta de mentiras!

BASTA DE UMA IMPRENSA PARCIAL QUE DESINFORMA E É DESCOMPROMETIDA COM A VERDADE!

Pela homologação da Terra Indígena Morro dos Cavalos!

 

Pela homologação das terras indígenas Pindoty, Pirai, Tarumã, Morro Alto, Araçá’i e La Klãno!

Exigimos do DNIT a construção dos túneis no Morro dos Cavalos, que é a alternativa acordada e a mais viável econômica e ambientalmente, que garantirá condições dignas de moradia, de trabalho e de vida aos Guarani na região.

Pelo RECONHECIMENTO dos direitos dos povos originários!

Santa Catarina, dezembro de 2013.

Assinam esta carta:

 

COMISSÃO NEMONGUETÁ

CONSELHO MISSIONÁRIO INDIGIENISTA – CIMI SUL

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA

COLETIVO CATARINA DE ADVOCACIA POPULAR

REDE NACIONAL DE ADVOGADAS E ADVOGADOS POPULAR – RENAP/SC

COLETIVO DIVUANT DE ANTRPOLOGIA – SC

NEPI- Núcleo de Estudos de Populações Indígenas (UFSC)

NEA – Núcleo de Estudos Ambientais (UDESC)

Revista Esboços publica Dossiê especial sobre o Contestado

06/11/2013 23:06

        A Revista Esboços, do Programa de Pós-Graduação em História da UFSC acaba de publicar um dossiê especial sobre o Centenário do movimento do Contestado, com vários textos debatidos nas três sessões de nosso Simpósio ocorridas em Florianópolis, Pelotas e Chapecó ao longo do ano de 2012. Confira os textos completos em:

https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/issue/view/1967/showToc

 

Capa da revista