Chamada de Trabalhos VIII Simpósio do Contestado: Religiosidades de Matriz Africana e Indígena nos Movimentos Populares no Brasil e na América Latina

15/03/2024 23:50

Acontecerá na UDESC, de Florianópolis, de 2 a 6 de julho de 2024, o VIII Congresso do Contestado. A ideia é reunir pesquisadores sobre este movimento sertanejo em diálogo com pesquisadores de outros movimentos sociorreligiosos do Brasil e da América Latina.

Mais informações e inscrições no Link https://gimc.com.br/contestado-hoje/viii-simposio-nacional-do-contestado/

 

Lançado site do Grupo de Investigação sobre o Movimento do Contestado – GIMC

11/10/2023 13:11
O Grupo de Investigação sobre o Movimento do Contestado tem agora sua página na internet. Veja e acesse as nossas atividades, notícias e publicações. Aqui temos a história de nossos eventos, o compromisso público com as populações que hoje vivem neste território, além de acesso aos textos integrais de livros, teses, dissertações e monografias do grupo.
O Link segue abaixo:

Disciplina de Laboratório de Ensino sobre História Social do Campesinato – semestre 2023/2

13/07/2023 19:45

A partir de início de Agosto estarei lecionando a disciplina HST 7414 – Laboratório de Ensino sobre História Social do Campesinato, a ser lecionada nas manhãs das sextas-feiras, com o seguinte cronograma de leituras:

Dia 11/08: Aula inicial: Apresentação do Plano de Ensino e distribuição das leituras;

Módulo I: Especificidades e naturezas do campesinato. Racionalidades, adaptação e resistência.

Dia 18/08:  Texto 1: CHAYANOV, Aleksandr. “Teoria dos sistemas econômicos não capitalistas” IN CARVALHO, Horácio Martins de (org.) Chayanov e o campesinato. São Paulo: Expressão Popular, 2004. pp 99 a 137.

                     Texto 2: SCOTT, James. “Formas cotidianas da resistência camponesa”. Raízes, v. 21, n. 1, pp. 10-31, 2002.

Módulo II: O campesinato, escravidão, plantation e lavoura de subsistência:

Dia 25/08  Texto 3:  CARDOSO, Ciro Flamarion. A “brecha camponesa” no Brasil: realidades, interpretações e polêmicas. IN Escravo ou camponês? O proto-campesinato negro nas Américas. São Paulo: Brasiliense, 1987. pp 91-125.

Texto 4: LINHARES, Maria Yedda e TEIXEIRA da SILVA, Francisco Carlos. A questão da agricultura de subsistência IN História da Agricultura Brasileira. Combate e controvérsias. São Paulo: Brasiliense, 1981. pp. 117-133.

Até dia 15/09/23 – Envio dos Grupos das propostas de Oficina de Audiovisuais.

Dia 15/09  Texto 5 – SLENES, Robert. Malungu, Ngoma vem! África coberta e descoberta no Brasil. Revista USP. N. 12, 1992.

                  Texto 6: SCHWARTZ, Stuart. Trabalho e cultura. A vida dos engenhos e a vida dos escravos. IN Escravos, roceiros e rebeldes. Bauru: EdUSC, 2001. pp. 89-139.

Módulo III – Movimentos, guerras e recrutamento militar:

Dia 22/09 Texto 7 NEUMANN, Eduardo. “Um só não escapa de pegar em armas.” As populações indígenas na Guerra dos Farrapos. rev. hist. (São Paulo), n. 171, p. 83-109, jul.-dez., 2014

Texto 8. CARVALHO, Marcus.“Um exército de índios, quilombolas e senhores de engenho contra os ‘jacobinos’: a Cabanada, 1832-1835” IN DANTAS, Mônica Duarte (org.) Revoltas, Motins e Revoluções. Homens livres pobres e libertos no Brasil do século XIX. São Paulo: Alameda. 2018. Pp. 169-200.

Módulo IV – Estado, ciência, agricultura e imigração:

Dia 29/09Texto 9 – SILVA, Márcio Both da. Medicina e melhoramento da agricultura no Brasil do século XIX. História, São Paulo, vol. 42. 2023.

Texto 10 – MACHADO, Paulo Pinheiro. Aprendendo na nova terra: imigrantes e nacionais no trabalho agrícola, séc. XIX. IN TOMPOROSKI, Alexandre A. ESPIG, Márcia (orgs.). Tempos de muito pasto e pouco rastro. São Paulo: Liberars. 2018. pp. 95-104.

Módulo V – Retirantes, migrantes e reprodução camponesa:

Dia 06/10 – Semana de História.

 Dia 13/10 Texto 11 – NEVES, Frederico de Castro. Capítulo IV O Estado intervém. IN A Multidão e a História. Saques e outras ações de massas no Ceará. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000. pp. 135-160.

Texto 12 – WOORTMANN, Ellen F. Migração, família e conhecimentos tradicionais. Vivências, Natal – RN, n. 43, 2014, pp 13-27.

Módulo VI – Religiosidade, projetos comunitários e mestiçagem cultural:

Dia 20/10 – Texto 13. MACHADO, Paulo Pinheiro. “Raízes da insurgência sertaneja do Contestado” IN MENDONÇA, J. SOUZA, J. (orgs.) Paraná Insurgente: história e lutas sociais, séc. XVIII à séc. XXI. São Leopoldo: Casa Leiria, 2018. pp. 103-121.

Texto 14. SILVA, Lemuel Rodrigues. Canudos e Caldeirão. Missões abreviadas. Anais do XXIV Simpósio Nacional de História. São Paulo: ANPUH-Brasil. 2011. pp. 01-23.

Dia 27/10Texto 15. CORRÊA, Luís Rafael Araújo. Feitiço caboclo: um índio mandingueiro condenado pela Inquisição. Tese Doutorado História, UFF. Niterói. 2017, Capítulo 2.

Texto 16.  RODRIGUES, Rogério Rosa. O Santo revortado. A imagem de São Sebastião, e sua apropriação em religiões afro-brasileiras , como ato icônico na santa irmandade do Contestado. Revista Desenvolvimento Regional em Debate. Canoinhas. Vol. 13, pp. 102-121, 2023.

Módulo VII – Luta camponesa no Brasil Contemporâneo:

Dia 10/11Texto 17. RANGEL, Maria do Socorro. Territórios do Confronto. Uma história da luta pela terra das Ligas Camponesas. IN LARA, Sílvia H. e MENDONÇA, Joseli M. (orgs.) Direitos e Justiças no Brasil. Campinas: Ed. UNICAMP, 2006.

Texto 18. JULIÃO, Francisco. O que são as Ligas Camponesas? IN WELCH, C.; MALAGODI, E.; CAVALCANTI, J. ; WANDERLEY, M. N. B. (orgs.) Camponeses brasileiros. Leituras e interpretações clássicas. Vol. 1. São Paulo/Brasília: Ed UNESP/NEAD-MDA, 2009.pp. 271-297.

Dia 17/11Texto 19. ESTEVES, Carlos Leandro. Posseiros e invasores: propriedade e luta pela terra em Goiás durante o Governo Mauro Borges da Teixeira (1961-1964). Revista Brasileira de História. São Paulo. Vol. 36, n. 71, 2016.

Texto 20 – PRIORI, Ângelo. A revolta camponesa de Porecatu. IN MOTTA, M. e ZARTH, P. (orgs,) Formas de resistência camponesa: visibilidade e diversidade de conflitos ao longo da história. Vol. II. NEAB. São Paulo/Brasília: Ed. UNESP/NEAB. 2009. pp. 117-142.

Dia 24/11 –   Texto 21. DEZEMONE, Marcus. “A Era Vargas e o mundo rural brasileiro: memória, direitos e cultura política camponesa”. IN MOTTA, M. e ZARTH, P. (orgs,) Formas de resistência camponesa: visibilidade e diversidade de conflitos ao longo da história. Vol. II. NEAB. São Paulo/Brasília: Ed. UNESP/NEAB. 2009. pp 73-98.

Texto 22. TEDESCO, João Carlos e OLIVEIRA, Axsel B. Comunidades quilombolas no sul do Brasil: história, legislação e dinâmicas em processo. IN BONI, V. e ROCHA, H. (orgs.) Pesquisas em movimentos sociais na fronteira sul. Curitiba: Ed. CRV, 2019. pp. 181-210.

Módulo VIII- Apresentação dos Grupos de audiovisuais:

Dezembro de 2023.

Lançamento “A Guerra Santa do Contestado Tintim por Tintim”

29/06/2023 11:15

O movimento sertanejo do Contestado pode ser estudado sob diferentes óticas.  Os primeiros estudos foram dos militares, que escreveram sobre a Campanha do Contestado, tentando entender as causas do conflito, mas centrando suas narrativas na descrição interminável de batalhas, combates, retiradas, avanços, cercos e rendições. Neste livro privilegiamos um outro enfoque: a vida e a luta dos sertanejos e sua busca de uma sociedade com justiça e bem-estar, que se concretizou na construção de sua principal invenção  – as Cidades Santas. O livro é dirigido a um público amplo, com linguagem direta e simples, mas é atualizado historiograficamente. Pela Editora Letra e Voz o livro pode ser adquirido por R$ 78,00, mas no lançamento estaremos fazendo uma promoção por R$ 50,00. Haverá também a distribuição gratuita da versão em pdf.

Lançamento dia:  06 de Julho de 202;

Local: Auditório do CFH (bloco B) da UFSC, Florianópolis.

Horário: a partir das 18:00h

Lançamento de livro “A Guerra Santa do Contestado Tintim por Tintim”

05/06/2023 13:52

       Em breve estará disponível, nos formatos impresso e eletrônico, o livro “A Guerra Santa do Contestado Tintim por Tintim“. A obra deverá ser publicada até o final de junho de 2023, conta com a participação de 42 autores que discorrem sobre personagens, acontecimentos e reflexões sobre a Guerra do Contestado. A obra procura entender o movimento sertanejo por dentro, a partir das “Cidades Santas” que se formaram a partir de Taquaruçu.

       O livro conta com o Prefácio da Profa. Ana Mauad, da Universidade Federal Fluminense e as apresentações dos Profs. José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Academia Brasileira de Letras e Bruno Leal Pastor de Carvalho, da Universidade de Brasília.

        A publicação teve apoio decisivo da FAPESC e do CNPQ.

Discurso aos formandos em História na cerimônia de 28 de março de 2023

29/03/2023 11:18

Tive a honra de ser convidado para ser Paraninfo da turma 2022/2 do Curso de História da UFSC:

Queridos(as) formandos(as)

O momento é de congratulação e de vitória, por vocês terem cumprido uma longa trajetória de estudos para a formação de historiadores. Como Bacharéis e Licenciados em História vocês possuem condições para pesquisar a História e transmitir os conhecimentos adquiridos. Mas a educação não é apenas transmissão de conhecimentos, é uma capacidade imponderável de interagir com o mundo e com as pessoas que nos proporciona alegrias e satisfações.

Esta turma passou pela pandemia de covid 19 e adaptou-se, durante alguns semestres, a formas de ensino remota que se não são as mais adequadas, mas eram as disponíveis naquele momento e agora vocês encontram-se prontos para enfrentar a missão de historiadoras e historiadores. É óbvio que qualquer um de vocês pode se indagar secretamente: será que estou mesmo pronto como profissional?

Saibam que profissionais com décadas de trabalho também se perguntam da mesma maneira. A rigor, nunca estamos prontos, pois sempre há algo a aprender no vasto campo de nossa atuação e na riqueza de nossa ciência e arte, que está sempre em renovação. Mas vocês já dispõem das ferramentas para caminhar por conta própria e construir seus caminhos profissionais. Para os que não forem trabalhar com a História, penso que esta formação sempre será importante para sua vida, independente do destino. De qualquer maneira, sempre tenham a UFSC como sua casa, retornem para cá, participem de nossos eventos, da atividade dos Laboratórios de pesquisa e da pós-graduação.

Nossa área de conhecimento tem a capacidade de constante aumento da inteligibilidade da ação humana no planeta. A cada geração antigas fontes revelam novas respostas, tendo em vista a constante mobilidade das perguntas. Conhecer bem o presente só é possível com a História, assim como só podemos conhecer a História questionando nosso presente. A mútua inteligibilidade entre passado e presente faz parte de nossa formação e nossa vida profissional.

Nos últimos anos nunca foi tão fácil argumentar pela relevância e a utilidade da História como área de conhecimento fundamental para a cidadania, a democracia e a luta por uma vida melhor. Infelizmente a História ganhou relevância pelos lamentáveis ataques e crimes desferidos contra a democracia. Passamos por um terrível período de perseguição à ciência, a memória e à Universidade. Não podemos considerar esta situação completamente superada, tendo em vista a força política alçada por admiradores do nazi-fascismo entre significativos contingentes da população. Nós, professores de História , nos perguntamos: Como chegamos a este ponto? Como pode alguém negar o Golpe Militar de 1964 e os 21 anos de Ditadura que se seguiram? O negacionismo histórico vai muito mais fundo: negaram os quase 400 anos de escravidão africana e o genocídio dos povos indígenas. O negacionismo não é apenas uma atitude de ignorância inocente. Ele é base para a manutenção de políticas de privilégio aos de sempre, o negacionismo é um patamar para a reprodução de injustiças e para que se renovem a opressão e a exclusão de milhões.

Aqui em nossa casa, a UFSC, também temos tarefas a cumprir, como deveres de memória. Nossa Instituição, como outras Universidades brasileiras, foi alvo da ação por parte de órgãos de informação e espionagem, durante a Ditadura Militar. Professores, técnicos e estudantes foram perseguidos. Em muitos momentos, os órgãos de repressão contaram com a covarde colaboração de autoridades internas para perseguir, prender e torturar. Determinados indivíduos, homenageados por nossa Instituição, delataram colegas e colaboraram abertamente para o arbítrio da Ditadura e para o silenciamento e perseguição de estudantes. A UFSC formou uma Comissão da Memória e Verdade que pesquisou e levantou estes abusos e ilegalidades. O Relatório Final da Comissão faz algumas recomendações que ainda hoje estão a espera de uma decisão do Conselho Universitário para serem implementadas. Que façamos isso por aqui. Não há como esquecermos destes crimes, fingir que não aconteceram só fertiliza o terreno para que novas iniciativas antidemocráticas tenham curso. Se o Brasil tem um encontro marcado com o seu passado, a UFSC também. Precisamos acertar as contas com o passado para poder caminhar para a construção do futuro.

Quanto a nós, Historiadores, agora me dirijo a vocês como colegas, tenham em mente a nossa responsabilidade como profissionais de História, nunca deixem que as forças criminosas do passado voltem a governar nosso país e as mentes da nossa juventude.

Desejo uma jornada profissional com alegrias e realizações!

Boa noite!